Hoje eu gostaria de comentar uma tendência que venho observado na internet nos últimos anos – criadores de conteúdo utilizando pay walls e sites próprios para suas comunidades. Uma certa migração do conteúdo antes veiculado nas redes sociais para sites próprios.
No início, quando a internet era tudo mato, pouco se falava em comércio online. O objetivo da internet era a troca de informações. Com o advento do HTML a criação de páginas mais elaboradas foi possível, dando início às páginas pessoais nas quais os donos de site expressavam-se livremente. Isso também facilitou a comercialização de bens e serviços online dando origem à bolha dos .com.
O advento das redes sociais foi aos poucos minando o protagonismo e a importância desses sites pessoais. Aos poucos o paradigma de “dono de site” foi substituído pelo de “usuário” como o papel principal das pessoas na web.
Com o tempo, as interações das pessoas foram concentrando-se em alguns poucos sites. Estes sites têm diretrizes de uso em constante mudança, intencionalmente confusas e ambíguas. Isso acarreta suspensões em massa que são impossíveis de serem contestadas, dado seu volume altíssimo de usuários suspensos, o que coloca criadores numa posição delicada e bastante precária. Do dia pra noite é possível perder seu negócio, todo o seu catálogo de conteúdo e sem explicação satisfatória.
Imagino que este seja o cenário no qual observo a migração de criadores de conteúdo para sites próprios contendo pay wall. Nessa nova dinâmica os criadores de conteúdo não abandonam as redes sociais, eles as utilizam para recrutar novos usuários pagos. O conteúdo veiculado nas redes sociais é de certa forma limitado e o criador promete o conteúdo sem restrições, ou conteúdos extras, na plataforma paga dele.
É uma solução de marketing digital para um problema de plataforma. Além de criar um espaço digital no qual a vontade do criador de conteúdo dita o que é permitido, é uma forma de monetizar essa decentralização do conteúdo. O desafio passa a ser a criação de conteúdo e a curadoria das redes sociais para manter-se relevante ao algoritmo, pois ainda se depende das redes sociais para iniciar o processo de conversão de seguidores em clientes, e a manutenção do site pessoal e do sistema de assinatura/pay wall.
Este modelo de negócios sempre existiu, mas percebo que tem se tornado muito popular de uns anos pra cá.
Em resumo
Noto que criadores de conteúdo estão cada vez mais abraçando o modelo de monetização e publicação na qual as redes sociais servem para captar seguidores interessados em conteúdo mais rico, mais autêntico, que está disponível atrás de uma assinatura, ou pay wall, num site próprio do criador de conteúdo.