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No finzinho de 2024 eu comecei a me interessar por zines. Acabei caindo no maior canal dedicado à criação de zines no youtube. Sua dona, uma moça americana, não é lá o tipo de pessoa que eu pararia pra escutar: comunista/socialista/liberal, artista perdida na vida que acha que “quebrar padrões” tem algum mérito, e gay.

Assisto o canal porque eu quero saber como é a vida de alguém que “ganha a vida” com zines. Descubro que ela não ganha a vida com zines, mas zines são parte da sua renda. Ela ganha dinheiro por meio de sua loja de impressões e de trabalho freelancer. Ah, e ela é gay.

Acompanho seus vídeos e a mensagem central que ela quer passar é que zines são extremamente pessoais, e não tem que ficar bonitinho, nem tem que parecer que foi bem feito. Abrace o trash e faça zines, compartilhe sua história de vida, seus interesses, seus hobbies com o mundo. Ah, e ela é gay.

Sendo artista comunista/socialista/liberal, o identitarismo é algo inescapável a ela. Ela sempre tenta se definir – ou se vender – de alguma forma nos vídeos. Quando ela comenta suas experiências, sempre as prefacia com “eu sendo uma mulher negra, polinésia e gay…” Isso cansa.

Talvez o que canse mais seja ela mudar de tempos em tempos essa identidade. Ela já disse que era uma artista, uma zine maker, alguém que ama zines, uma garota negra, uma mulher negra de meia idade (ela tem 30 e poucos anos) autista, uma mulher negra e polinésia autista, uma lésbica negra e polinésia autista, uma mulher autista negra, polinésia e gay – os mais atentos sabem que tem diferença, e também sabem que é a mesma coisa – … Sempre uma concatenação de características pessoais – reais ou imaginárias eu não sei. É uma mulher adulta perdida na vida.

Pelo que ela publica é possível notar que ela teve alguns relacionamentos ruins, uma família não muito acolhedora, tem problemas com ganhar dinheiro – quer ganhar dinheiro, mas isso é capitalismo! mas dinheiro é tão gostosinho! mas isso é mau!- e tenta construir narrativas de “a sociedade não me aceita”, apesar de ser americana e morar nos EUA. Perdidinha na vida, caçando sentido em identidades arbitrárias e hobbies. E ela é gay.

Desde que ela assumiu essa identidade ela faz questão de dizer em todos os vídeos que é gay. EM. TODOS. OS. VÍDEOS.

Primeiro que não é da minha conta, segundo: e daí? Sodomia, grande coisa. Me parece mais branding pessoal do que uma informação importante que adiciona algo à discussão. Na minha visão, ela ser gay não dá nem tira autoridade ou prestígio. Mas no círculo de comunistas/socialistas/liberais a história é diferente. Uma pena. Ideologia deixando mais um criador chato. Ah, já falei que ela é gay?

By caio

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