Não sei porque me surpreendi ao descobrir que no aniversario de fundação de São Paulo mais de um bolo é feito para celebrar a data.
O mais famoso, e mais repulsivo, é o bolo do Bixiga que a cada ano aumenta de modo que sua extensão em metros corresponda à idade da cidade em anos. O primeiro bolo foi cortado em 1986, mas fora idealizado em 1985, por Armandimho do Bixiga. Já nessa época o método de distribuição era o de sempre:
Faz-se uma contagem regressiva e ao término todos os presentes são convidados a se servirem do imenso bolo da forma que puderem. Aí tem de tudo: saco de lixo, forma de bolo, bacia, balde, pá de lixo, caixa de papelão, tupperware… O desperdício e a sujeira são enormes, nego se desentende, nego briga, tem quem volte pra cara lambuzado dos pés à cabeça de bolo e cobertura. E tem quem ache bonito.
Em 2008 o Pânico na TV participou da lambança e incentivou crianças a jogarem bolo umas nas outras. Isso teria incomodado empresas apoiadoras do evento. Assim, de 2009 a 2017, as pessoas recebiam bolo igual gente, na mãozinha, sobre um guardanapo, sem a imundice e o show do baixo ventre de sempre. Em 2018 voltou a baixaria.
Em 2020, por conta do lockdown, o corte do bolo foi virtual e o bolo foi bem menor. Em 2022 o organizador do bolo de aniversário – sucessor de Armandinho – faleceu e a família decidiu – sabe-se lá por que – não fazer o bolo no ano seguinte. Nesse ano a prefeitura de SP decidiu comissionar um bolo no formato da cidade que seria cortado no Mercadão e servido de maneira digna. Esse evento persiste até hoje.
O bolo do Bixiga voltou em 2024 e continua a tradição, tanto na organização quanto na nojeira da hora de cortar o bolo. Este ano o bolo terá 472 metros.
Dia 25 é aniversário de São Paulo, qual bolo você escolhe?