A clínica de medicina do trabalho tem uma energia estranha que provavelmente se dá pelo estado de espírito conflitante das pessoas que a visitam. Uns estão contentes e ansiosos por começarem num emprego novo. Outros, por saírem do emprego antigo, tem raiva, ansiedade, tristeza e vergonha. Um ambiente ambíguo e ansioso.
Não sou imune a esta dinâmica. Meus estados de espírito estavam bem diferentes no exame admissional e no demissional. Apesar disso, externamente eu era a mesma pessoa: um pouco impaciente, educado e até bem-humorado.
O veredito dos exames foi o mesmo: apto para exercer a função/ser mandado pra casa. O médico que me examina foi o mesmo nas duas ocasiões, direto ao ponto: mediu minha pressão, alscultou meu peito, fez um monte de perguntas, assinou um papel e me estendeu a mão. Tão logo aperto a mão do médico, fujo dali; Passo na vendinha ao lado da clínica e compro stroopwafel, vou pra casa de metrô pensando no almoço e no que farei da vida com o admissional/demissional concluído. Chego em casa e durmo.