Ano passado eu decidi aprender a tirar fotos.
No mês de Abril do ano passado (2025) eu criei um desafio de fotografia simples: todos os dias eu tiraria uma foto e todos os dias eu a publicaria. Eu vinha querendo me dedicar a alguma atividade criativa e queria treinar minha criatividade diariamente. Decidi tirar fotos porque todo mundo gostaria de saber bater boas fotos – eu também.
A primeira decisão que precisei tomar foi escolher a plataforma onde eu publicaria as fotos. O instagram me daria um pouco mais de visibilidade, mas eu não estava a fim de literalmente ceder os direitos das minhas fotos para o Zuckerberg. Eu vinha me interessando por zines e percebi que eu poderia criar zines em forma de sites. Pensei que seria legal transformar esse desafio numa zine digital e – talvez no futuro – numa zine impressa. Foi assim que eu decidi que eu programaria meu próprio site.

Sendo dono e programador do meu site, eu poderia fazê-lo como eu quisesse (e conseguisse). Decidi que eu mostraria os metadados das fotos. Tomei essa decisão em parte para mostrar um lado mais técnico de Fotografia e em parte por uma estranhesa e curiosidade com relação a metadados. Lembro quando descobri sobre metadados e fiquei aterrorizado. Quer dizer que tem um monte de informações escondidas em todas as imagens que eu publiquei/recebi/repassei? Que pesadelo!
Depois que eu me acalmei entendi que metadados são “dados sobre dados“, isto é, informações pertinentes ao artefato digital em questão. No caso da foto, ela é um artefato digital e os metadados trazem informações sobre tamanho, equipamento utilizado, abertura da lente, autofoco, autor, localização geográfica… dados que ajudam a explicar como o artefato digital foi gerado e/ou editado.

Abaixo das fotos tem uma seção de metadados que começa encolhida e basta clicar para expandir e ter acesso a todos os detalhes técnicos da fotografia.
Este foi o primeiro site que eu utilizei IA de maneira mais intensional. Utilizei chatGPT para resolver problemas com CSS e programar as partes que eu não queria programar (como os elementos do calendário). Logo percebi a canelada que foi usar IA para resolver CSS. Acabei reescrevendo o CSS algumas vezes.
O layout do site é servível, isto é, tem todas as funcionalidades que eu preciso, mas poderia ser mais legal. Sem tempo – e vontade – pra resolver esse problema estético, o site ficou do jeito que ficou. Mas não totalmente, no meio da primeira semana de desafio adicionei um seletor temas só porque eu gosto de seletores de tema. A home mudou algumas vezes também porque eu não sabia se valia a pena ter uma página “Sobre”, se eu queria que o site já abrisse na foto do dia ou na mais recente… acabei mantendo o conteúdo da página “Sobre” na home e coloquei um calendário enorme para dar acesso a todas as fotos (até as que eu não tinha tirado ainda, nessas páginas eu mostrava uma imagem placeholder bem sem graça e um texto de “em breve…”).
Na primeira semana eu tive que decidir se eu editaria digitalmente minhas imagens ou não. Optei por editar minhas imagens. Todos os canais que eu encontrei falando de fotografia profissional falavam do quão importante era a etapa de edição. Passei a retocar minhas fotos com o Paint.NET, uma ferramenta bastante versátil, embora amadora, mas que me atendeu muito bem.

Durante o projeto de 30 fotos eu criei legendas para minhas fotos e posts comentando sobre meus aprendizados. Eu não estou satisfeito com a forma como eu utilizei as legendas e o blog. Eu deveria ter usado as legendas para explicar como a foto que eu tirei é legal, comentar apenas sobre a foto, a história que ela conta e etc. Já o blog deveria conter detalhes técnicos, insights e registros de eventos. Assim eu separaria as informações que só interessam a fotógrafos dos textos de apoio das fotos que auxiliam na sua apreciação como arte.

Durante o desafio, aos poucos fui melhorando o enquadramento, o controle de cor, a escolha dos objetos fotografados. Fui aprendendo as configurações da minha câmera, como segurar o equipamento, como proteger a lente, como o que vejo na tela difere do que vejo com meus próprios olhos, etc. Alguns break-throughs são perceptíveis nas fotografias, mas durante o desafio eu notava algum progresso, mas não sabia apontar exatamente o que mudava. Eu percebia que as fotos melhoravam, mas como melhoravam era um mistério.
Esse mistério se dava em parte por eu não ter a experiência nem o vocabulário para descrever minhas fotos. Percebendo minha falta de vocabulário, assisti a alguns cursos introdutórios e tutoriais sobre fotografia para poder descrever e perceber aspectos das minhas fotos que até então eu era incapaz de compreender. Quisera eu ter registrado essa pesquisa no blog, mais uma falha do blog.
Durante o desafio eu criei o costume de, durante o dia, matutar: “Qual vai ser a foto de hoje?” Mesmo nos dias mais corridos eu via a foto do dia como algo importante – porque era importante – e inadiável. Eu não poderia pular um dia e tirar 2 fotos no dia seguinte. A foto mais tardia que eu publiquei foi batida às 23:36:29, no dia 23 de Abril.
Acho curioso como consegui focar em aspectos específicos da Fotografia à medida em que eu só me preocupava com melhorar minhas fotos. Primeiro foquei em enquadramento, depois em modos (STD, HDR, NR, DRO), depois escolha dos objetos fotografados, depois cores, depois composição, depois foco, depois iluminação, depois profundidade. Essa progressão aconteceu de maneira orgânica à medida em que eu tentava corrigir aspectos das minhas fotos que mais me incomodavam no momento.
Gostaria de compartilhar alguns insights que tive durante o desafio de 30 dias:
- As pessoas não ligam de serem fotografadas
- Autofoco (no meu setup) foca no centro da tela (perdi alguns momentos por conta disso)
- Composição e balanço de branco são 90% da fotografia
- Pequenas edições deixam as fotos muito melhor
- Não é errado editar suas fotos
- Quando eu não sabia composição eu odiava fios de eletricidade. Depois que eu aprendi composição eu usava os fios na composição (e até gostava deles)
- Mais vale tirar centenas de fotos para registrar um momento do que perder o momento
- Guarde fotos com composição ruim; delete fotos com técnica fotográfica ruim(iso, foco, balanço de branco, modo de cor, exposição, etc)
- Deixe as zebras sempre ligadas (indicador de exposição)
- Auto-foco e auto-estabilização são opcionais e devem ser usados de maneira intencional
- Esteja aberto a receber os momentos que valem a pena fotografar
- Pequenos acidentes viram grandes momentos
Depois dos 30 dias de Abril, vira e mexe eu fazia alguma coisa com esse projeto. Eis uma lista de – na falta de um nome melhor – entregáveis que eu produzi:
- Site com blog e fotos tiradas durante Abril de 2025
- Blog impresso
- Booklet
- Site v2 (Canva)
- Este post mortem
Este foi o primeiro desafio de 30 dias que eu criei para mim em 2025. Foi um desafio extremamente bem-sucedido e não teve emergências médicas, freela, tempo ruim e cansaço que me fizessem perder uma publicação.
Acredito que por conta deste desafio eu descobri, sem sombra de dúvidas, que eu consigo ser consistente nos meus projetos e empreitadas. Sem este desafio de 30 Fotos em Abril eu não teria começado este desafio de publicar um post por dia durante um ano. Não teria criado meu site de Cruzadinhas e toda a infra-estrutura para publicar jogos diários de 7 tipos diferentes.
Além de aprimorar minhas habilidades de fotógrafo este desafio me provou que eu consigo me comprometer com entregas diárias. Mas não sem preparação, foco e um objetivo claro.
