Um homem caminha num pântano com lama até a altuira do peito. Olhar determinado.

Neste blog eu falo bem pouco sobre minha vida pessoal. Tento manter o foco em temas e eventos que me interessam no momento. Em parte porque eu noto uma evolução ou movimento nos assuntos que me cativam – estão sempre mudando – e este blog é uma forma de registrar esses interesses e essas mudanças. Em parte porque sou introvertido e muito tímido. Em parte porque acho minha vida pessoal desinteressante.

Algo da minha vida pessoal que acho interessante é a tristeza que sinto após concluir um projeto. Do ponto de vista pessimista é como se o Universo* estivesse me punindo por ousar criar algo em vez de simplesmente deixar o tempo me dissolver. Se meu principal problema sempre foram meus esforços dispersos, por que eu ficaria tão triste após concentrar esforços num período de tempo determinado e – pra variar – concluir um processo criativo, de estudos, ou trabalho?

Terei de usar linguagem poética para expressar como vejo as coisas. Espero não ser muito deprimente ou pessimista.

É como se eu andasse num lodaçal com lama até a altura do peito. Meus cotovelos fora da água, tentando não adicionar mais massa a ser movida sob a superfície. É difícil me mover, e há uma correnteza me puxando para algum lugar que não quero ir – mesmo sem saber o que tem por lá. Cada projeto criativo é um esforço de caminhar, todos os dias, numa direção. Mesmo que não seja a direção correta – eu nunca descobri a direção correta – estou contra a correnteza que me leva pra um lugar ruim, então a direção não importa tanto quanto me mover. Um andar intencional sem direção, rumo ao desconhecido, para fugir de uma correnteza que te arrasta para um lugar desconhecido – mas terrível. Ou melhor dizendo: um andar com direção temporária e efêmera em vez da certeza da correnteza – que me arrasta para o desconhecido.

Isso cansa. Também explica a tristeza pós-projeto.

Talvez os projetos de um mês sejam formas de vencer a inércia natural que minha personalidade me impõe além de tornar minha vida pessoal mais interessante ao aplicar os conhecimentos que adquiro em algo maior do que apenas coçar uma curiosidade passageira. Também é uma forma de me conectar com pessoas.


* em vez de Universo eu ia usar Deus, mas Deus não me puniria por criar. Universo é um termo metafísico e espiritualmente ateu que no fundo significa Deus. Combina mais com o pessimismo e a tristeza pós-projeto.

By caio

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