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Nunca me vi como perfeccionista mas, pensando bem, eu tenho essa tendência.

Comecei a construir cruzadinhas no formato 11×11, o mesmo formato usado por Paulo Freixinho, após ler o Diário do Centenário das Palavras Cruzadas em Portugal (DCPCP) e calcular meu esforço semanal para produzir cruzadinhas diárias – aproximadamente 9 horas.

As cruzadinhas 11×11 tem metade dos espaços de letra que as 15×15 e pouco mais de 1/4 dos espaços de cruzadinhas 21×21. Isso reduz o volume de trabalho consideravelmente. As grelhas de Freixinho também não são simétricas, o que reduz ainda mais o esforço. A produção de cruzadinhas diárias seguindo esse padrão é perfeitamente realizável.

Desde que comecei a construir cruzadinhas a idéia de publicar cruzadinhas diárias me atormenta. Mesmo quando produzi cruzadinhas semanais isso não bastou para matar essa vontade de publicação diária. Agora mais experiente, com referências de outros cruciverbalistas e compreendendo o que consigo criar, acredito que eu posso finalmente atacar essa sanha.

Nesta semana (5 a 11 de Abril de 2026) eu quero agendar publicações diárias para a próxima semana, então comecei a criar minhas cruzadinhas. Foi nesse processo que me veio o estalo: talvez eu seja perfeccionista.

A primeira 11×11 que eu criei demorou pouco mais de 40 minutos e não tenho maiores reclamações dela. A segunda passou de uma hora, bem como a terceira. Na terceira eu estava descontente com as palavras de 2 letras que coloquei no jogo. A quarta cruzadinha 11×11 foi iniciada num dia e retomada no dia seguinte. Quando a retomei eu estava muito descontente com a quantidade de palavras com 3 letras e com o layout geral da cruzadinha. Não ter um tema para a cruzadinha também me incomodava. Quando eu cogitei abandonar aquela cruzadinha – que estava uns 70% preenchida – me ocorreu o vislumbre: “eu vou abandonar esse jogo só porque não está perfeito? Pera… isso é coisa de perfeccionista… eu sou perfeccionista?”

Eu acho que sou perfeccionista, e venho lutando contra isso há anos. Posso usar este blog como exemplo. Quando faço um post e o releio – eu releio meus posts de tempos em tempos, me julgue – a presença de um erro de digitação implora por correção. Às vezes eu me controlo e não edito a postagem, geralmente eu corrijo o erro.

Uma outra tendência perfeccionista que tem atrasado a minha vida: se eu começo algo de médio ou longo prazo e enfrento problemas, não consigo realizar o projeto com excelência do começo ao fim, sinto em mim uma fortíssima tendência para recomeçar do zero ou desistir da coisa toda. Talvez por isso os projetos que fiz ano passado me atraiam tanto. Independente de estar satisfeito ou não, os projetos tem seu próprio tempo. É impossível para mim, dadas as circunstâncias, publicar uma cruzadinha nova todos os dias no mês de Abril de 2026, não tenho como voltar no tempo. Quando comecei os projetos ano passado, os comecei com isso em mente: Agora ou nunca.

Note que os projetos não impediram que eu sentisse vontade de desistir ou de começar do zero no futuro. Os projetos me ajudaram a vencer essa tendência e a ter algum desprendimento do resultado. Algo que eu repetia pra mim mesmo enquanto participava dos projetos: “Eu não sei o que estou fazendo, então não tem problema não ficar bom.” Algumas vezes eu acreditava nisso, algumas vezes parecia uma mentira conveniente. De qualquer forma, os projetos deram certo.

Concluindo, eu sempre tive tendências perfeccionistas que se mostraram mais destrutivas quando aliadas à minha tendência natural à não-ação. Criei meios de vencer esse perfeccionismo mesmo sem conscientemente chamá-lo pelo nome. Apesar de ter meios de superar essa tendência minha, ela ainda é presente e imagino que me acompanhará de certa forma para sempre.

By caio

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