Retomei o projeto dos relógios digitais, com um twist: estou criando-os com IA.
Neste ano criei 2 relógios até o momento e noto diferenças significativas no processo criativo. Como não escrevi o código dos relógios novos, tenho concentrado esforços para comunicar os designs e os pontos de ajustes finos.
No relógio Nº 9 eu precisei “programar” variáveis para realizarmos ajustes finos com relação à proporção entre a rotação do ponteiro de segundos e a rotação da camada mais inferior de recortes (qa) e a proporção de rotação entre camadas imediatamente próximas (qb). Parece complicado, mas na prática a velocidade da camada inferior determina a velocidade de rotação de todas as camadas e cada camada recebe uma porcentagem da rotação da camada anterior, por isso a animação “desacelera” conforme os níveis sobem.
No relógio de hoje, que está logo abaixo deste parágrafo, os parâmetros do arco ondulado que acompanha os segundos foi dado pela IA e eu cogitei criar variáveis de amplitude, potência de onda, frequência e sabe-se lá mais o quê, mas achei mais sensato decidir se o arco ondulante estava ok, e caso estivesse – estava – seguir para outras features. Iterei um pouco nas letras e números desenhados e iterei sobre os ponteiros. Estou bem satisfeito com o resultado, em especial com o arco ondulante e com essa animação de desenho hachurado que é hipnotizante.
Fotos e programação criativa
Quando fiz o desafio de fotos, ano passado, o processo trazia mais frutos quando eu me deixava “boiar” pelo bairro de maneira despretensiosa até que, invariavelmente, eu encontrava a foto do dia. O sentimento era esse: encontrei a foto do dia que eu estava “procurando sem procurar”.
Noto que havia um quê disso quando escrevia código diretamente nos meus relógios. Muitos erros acabavam se tornando features, ou abriam caminho para idéias a serem aplicadas nos designs. Havia também uma maior frequência de insights, talvez porque criação de relógios fosse algo novo.
Paradoxalmente, esse foco intencional e quase exclusivo ao design que o desenvolvimento assistido por IA me permite parece ter eliminado algumas oportunidades para insights de design gerados nas experimentações.
Imagino se designers industriais sentem algo parecido quando não manipulam diretamente os materiais que serão usados no produto final. Essa desconexão design/matéria-prima parece mais grave quando tratamos da criação de objetos físicos que serão manipulados por mãos e corpos humanos. Meus relógios parecem inconseqüentes em comparação.
O desenvolvimento assistido por IA também elimina a armadilha do preciosismo, das iterações infinitas e me força a decidir sobre o design final mais rápido de modo que eu acabo gastando menos tempo polindo filigranas dos meus designs. O foco é o design como um todo, a experiência estética que quero criar, não como programar uma complicação que eu achei interessante.
Encerramento
Noto um salto na qualidade dos meus designs se compararmos os deste ano com os do ano passado. Não acho que isso se deva apenas ao uso de IA, eu estava pronto para criar uns designs mais fora da casinha quando interrompi o projeto ano passado; fiz alguns projetos com o Affinity Designer; e tenho prestado mais atenção no design das coisas que crio desde os relógios do ano passado.
Seguro dizer que sou um designer mais competente do que eu era no ano passado. Delegar a programação e permite explorar melhor meus designs e evita o conflito programador-designer que inconscientemente pode afetar as minhas escolhas de design por serem “difíceis” ou “complexas demais” para eu implementar. A implementação é problema do meu programador (Claude Code).
Links
10 | Caio’s Clocks
https://caios-clocks.caiomga.workers.dev/10/
Caio’s Clocks
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30 Fotos em Abril – Home
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