Pôster do filme Love Liza (2002)
Pôster do filme Love Liza (2002)

Love Liza acompanha a vida de William, um homem que acaba de enterrar a esposa que tirou a própria vida.

O protagonista (Philip Seymour Hoffman) fica o filme todo atônito, meio perdido, tentando se reorientar no mundo, mas nada parece importante. Ele tem dificuldade de se conectar com as pessoas e para piorar, ele encontra uma fuga por meio de entorpecentes – cheirar gasolina – que o torna mais distante e o faz se importar menos ainda com todo o resto.

Antes de morrer, a esposa de William deixa uma carta para ele, que William reluta em abrir o filme todo. Em vários momentos, a carta é mencionada e em mais de um momento William quase perde a carta, para ela voltar a ele. Em certo momento a casa toda de William é saqueada, carta inclusa. Pensei que naquele momento o protagonista teria que aceitar que a carta estava perdida para sempre e que ele teria que seguir com a vida dele sem de fato entender os motivos que levaram sua esposa a justificar o injustificável. Mas não, ele encontra a carta.

No clímax do filme, William finalmente lê a carta, que não diz nada demais. Na carta a finada esposa pede desculpas, pede também que o marido encontre outra pessoa para acompanhá-lo na vida e pede que o marido se lembre dela. Não explica nem tenta justificar suas ações.

O filme termina com William queimando a carta e queimando por acidente suas roupas e sua casa. Na imagem final vemos William andando só de ceroulas no meio de uma avenida sem rumo, para longe da câmera.


Num primeiro momento eu achei o filme horroroso, deprimente e com uma mensagem ruim. O protagonista sem agência, meio bobão, cambaleando pelas cenas me irritou bastante. Também me irritou as promessas que o filme faz e não entrega, como um possível romance entre William e uma colega de trabalho ou a suposta catarse que William teria ao ler a carta.

Mais tarde, pensando sobre o filme, me ocorreu que a situação na qual o protagonista foi lançado não tem uma catarse, não tem justificativa, não tem resolução satisfatória. É um abismo de falta de sentido que leva a apatia e ao isolamento social. A falta de agência do protagonista reflete bem o estado de espanto e atordoamento que a morte de um cônjuge – nos moldes do filme – pode causar numa pessoa.

Ainda acho o filme triste e eu não pretendo revê-lo, mas compreendo o que o diretor quis dizer, e como ele lida com essa situação tão triste e desesperançosa.

By caio

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