Recentemente abriram um McDonald’s a menos de 300 metros da minha casa, e eu quero morrer.
Moro num bairro periférico razoavelmente desenvolvido. A principal avenida da cidade margeia o bairro todo, mas não estamos próximos do centro. No bairro havia um estande de tiro do exército, que em tempos de paz recebeu o Rodeio de Osasco inúmeras vezes. Em certo ano, a gente conseguiu ver o show da varanda da casa do meu pai, mas víamos tudo pequeneninho a uns 900 metros de distância. Hoje o estande de tiro virou universidade federal.
A avenida que mencionei a pouco possui algumas estações de trem, uma delas a 900, e outra a 800 metros da minha casa. Do outro lado da rua, em frente à estação, temos um supermercado atacadista de rede com uma academia também de rede no estacionamento, há uns 700 metros da minha casa.
Na rua de trás da minha casa tem uma clínica médica com múltiplas especialidades e um colégio, ambos da mesma rede – a uns 300 metros de casa.
Uns vinte dias antes da inauguração do fast food, uma padaria gigantesca fechou – a 100 metros de casa. Na frente da padaria, no quarteirão da minha casa, há uma farmácia de rede, que não é gigante, mas é uma farmácia de rede, a primeira da região – a 80 metros de casa.
O bairro em si é muito bem localizado devido à proximidade das estações de trem e da avenida. Entretanto ele está cercado por 2 favelas, um viaduto populado por gente de rua, e uma ponte que atravessa a linha do trem e dá acesso aos predinhos estilo CDHU que foram presenteados a moradores de uma outra favela que foi destruída anos atrás. Pelo menos tem um posto policial depois da ponte pros caras não acharem que é bagunça. Parece que tem funcionado, eles nãofazem merda lá.
O supermercado atacadista e a estação de trem atraem muitos pedintes e alguns trombadinhas. Os relatos de pessoas sendo roubadas pelos pedintes/trombadinhas são bem raros, mas eles existem. Conheço mulheres que não vão sozinhas a esse mercado. Ouvi relatos de pedintes insistentes, tão insistentes que já não se tratava mais de mendicância, era extorsão.
Morei um tempo na frente da clínica/colégio e descubro, acima de qualquer dúvida razoável, que meu vizinho de parede é bandido. Não só isso, mas naquela casa onde ele morava desde sempre habitou uma família de ladrões. 3 gerações de criminosos que pulando um muro estão a menos de 200 metros da casa da minha mãe, onde moro hoje. Na frente da casa do meu pai tem um bar, que nos anos 90 era conhecido por ser ponto frequentado por ladrões de moto.
No estacionamento da farmácia de rede eu vi pela primeira vez uma latinha que fora usada para fumar craque – no quarteirão da minha casa.
Hoje, a duas casas da minha, três vagabundos pularam o muro e depredavam a tudo. A polícia chegou, eles fugiram, mas na sua fuga fizeram algo. Não sei o que, só ouvi um grito desesperado de uma vizinha que eu não sei se está bem.
Na rota entre minha casa e a estação, por muitas vezes eu fui encontrar minha mãe no meio do caminho pois ela temia ser seguida. Em mais de uma ocasião o ladrão me viu e mudou de direção imediatamente. Certa vez, no ano passado, às 5:30 da manhã, minha mãe viu um cara ser baleado naquele trajeto.
Mas eu comecei a escrever pra falar do grande evento recente, a inauguração do McDonald’s. Essas lojas tendem a atrair pedintes, nóias e gente à toa, motoboys fazendo entregas às 4 da manhã…
Por que eu moro aqui mesmo?