tl;dr: Ambientação ruim, femme fatale feia e Nicolas Cage mal dirigido.
Confesso que antes da série eu não fazia idéia de que havia uma versão do homem-aranha ambientada nos anos 1930. Também não fazia idéia de que eu queria ver um homem-aranha interpretado pelo Nicolas Cage. Infelizmente a série deixa muito a desejar e eu parei de assistir no meio do episódio 5.

Ben Reilly é um detetive particular alcólatra e depressivo que no passado foi O Aranha. O assassinato de sua namorada, no dia em que Reilly a pediria em casamento, faz com que ele abandone a vida de Super-herói. Desde então seus dias são divididos entre resolver casos sem importância na sua pequena agência em Nova York e beber até cair. O surgimento de super-vilões força Reilly a tomar a decisão de trazer de volta O Aranha e proteger a cidade.
Abertura
Meus problema com a série começam na abertura. Uma voz arranhada atrapalha o que seria uma excelente abertura. Se fosse uma canção instrumental a abertura seria perfeita.
Femme Fatale Feia
Uma das personagens centrais da história é Cat Hardy, uma cantora que tem uma relação complicada com o homem mais poderoso e perigoso de Nova York, Silvermane, o chefe do crime organizado. Na história Cat se envolve emocionalmente com um dos capangas de Silvermane, Flint Marko, que por sua vez quer abandonar a vida de criminoso e casar com Hardy. Desencontros e conflitos acabam afastando os dois. Car acaba se relacionando com o Aranha e – por consequência – Ben Reilly.
Problema: Cat Hardy não é tão bonita assim.

Talvez chamar Cat Hardy de feia seja um exagero. A atriz que interpreta Hardy, Li Jun Li, não é feia – pelo contrário, ela é bonita. Mas não exala a energia sexual e de perigo eminente de uma femme fatale. Quando o protagonista interage com uma femme fatale ele deve temer pela vida dele. Falar com ela, e às vezes até olhar pra ela, coloca-o em perigo. Mas ela é tão bonita, tão sedutora que ignorando seu melhor julgamento – ou sendo forçado por circunstâncias externas – o protagonista se envolve com ela. Não vejo isso na Cat Hardy do seriado.
Ambientação capenga
Apesar dos cenários, das roupas e dos carros de época, a ambientação deixa a desejar. Certo atrito entre os diversos grupos étnicos marcavam profundamente a vida em Nova York. Não vejo isso na série e pior, os grupos étnicos nem existem. Uma cidade multicultural em plena década de 1930 não faz o menor sentido e atrapalhava a imersão.
Atuações forçadas
Talvez o pior aspecto da série sejam as atuações forçadassas. Entendo que seja uma caricatura de uma outra época e que é uma história baseada em uma minissérie de quadrinhos… Mesmo levando isso em consideração, ainda acho as atuações exageradas e cansativas.
De todas as atuações, a mais exagerada e fora de controle é a do Nicolas Cage.
Nicolas Cage
Dentre os atores em atividade, Nicolas Cage é um dos meus favoritos. Mas o Nicolas Cage não é uma pessoa fácil de lidar, e o estilo de atuação dele não é dos mais naturais, ele é muito expressivo. Infelizmente a direção não soube domar a expressividade de Nicolas Cage, ao longo dos episódios ele vai ficando cada vez mais esquisito ao ponto de não ser nem engraçado, nem impactante – só fica chato.
Aliás, o melhor filme dessa década – até o momento – é Pig (2021), estrelando Nicolas Cage.
P/B e True Hue
A série possui duas versões de todos os episódios: Uma em preto e branco, estilo noir; outra em True Hue, colorida com cores vívidas. A versão com cores vívidas é mais interessante, a versão Noir não faz bom uso de sombras e por vezes parece que remover cores torna a cena mais pobre – não sei se isso é demérito da fotografia P/B ou se é mérito da fotografia True Hue.
Comecei assistindo em P/B, porque o seriado tem Noir no nome, imaginei que a fotografia P/B tivesse prioridade e fosse a “forma correta” de ver a série. Mas no episódio 2 eu decidi ver as diferenças de fotografia, por curiosidade. O player do Prime deixa a gente alternar entre P/B e True Hue sem precisar reiniciar o vídeo. Que diferença! Testei em algumas cenas e não encontrei cena na qual o P/B fosse mais interessante que True Hue.
Se for assistir, assista em True Hue.
Conclusão
Não recomendo Spider-Noir. Poderia ser uma boa série, mas não me agradou. para fins de registro, eu parei de assistir a série no quito episódio quando Reilly volta à seu escritório e encontra sua secretária e seu amigo jornalista que tem informações relevantes naquele momento e que Reilly precisa. Reilly explica para ambos o que precisa descobrir e seus supostos amigos o tratam feito lixo e zombam de suas capacidades de investigador. Não é uma cena de 1930, é uma cena de um filme do James Gunn onde as personagens são sarcásticas umas com as outras de graça. A cena não desceu legal e eu já cogitava abandonar a série, foi a desculpa que eu precisava.
