Ontem assisti o jogo do Brasil contra o Japão pela Copa do Mundo. Meu pai saiu mais cedo do trabalho para almoçar e depois ver o jogo em casa, eu o acompanhei. Infelizmente a carne moída que usaríamos para na preparação do almoço não descongelou a tempo de modo que o macarrão com almôndegas caseiras virou sanduíches do KFC. Quando meu pai chegou em casa eu já estava por lá. Pedimos o almoço num aplicativo e ficamos conversando até a hora do jogo.
O jogo começa com Brasil atacando, mas logo o Japão toma o controle da partida. Aos 22 minutos de jogo, chega o almoço. Aos 29, gol do Japão. A defesa brasileira completamente frouxa deixa Sano correr 10, 20, 500 metros e chutar para o gol. Como é de praxe, começamos a procurar um culpado pela derrota em andamento. Encontramos o crápula: Casemiro.
Casemiro joga de um jeito esquisito. Domina mal, toca pra trás o jogo todo e qualquer tentativa de avanço morre nos pés do nosso camisa 5. Ficamos reclamando do jogador o jogo todo, mesmo após sua saída – mesmo após seu gol.
O Brasil aos poucos vai dominando o jogo e aos 53 minutos tem um bate, rebate, canelada, tumulto na área do Japão e teríamos feito um gol, não fosse a atuação excelente do goleiro Suzuki. O goleiro pegou tudo. Ele conseguiu tocar na bola para desviá-la em todas as finalizações do Brasil, mesmo as que entraram no gol, como aos 56 minutos onde Casemiro – o Casemiro – faz um gol para o Brasil. A surpresa foi tamanha que na comemoração meu pai grita: “Gol do morto!”
Gol do morto!
A partida ficou intensa, embora a equipe japonesa – como é de costume – fizesse um segundo tempo menos efetivo. A seleção brasileira, por outro lado, se inflava de ânimo e foi melhorando seu jogo ao longo da partida. Mérito dos jogadores mas muito mais mérito da comissão técnica que conseguiu coordenar os esforços e explorar falhas do Japão.
Naquele dia meu pai e eu colocaríamos uma porta nova no seu quarto, mas pergunto pra ele quando íamos colocar a porta em caso de prorrogação. Sem pensar muito ele me responde: “Esse não é jogo de prorrogação”. No último minuto dos acréscimos Martinelli do meio da área faz um gol. Vitória do Brasil.
Mais tarde, enquanto montávamos a porta, vimos a Alemanha ser eliminada pelo Paraguai. Conseguimos finalmente colocar a porta do quarto do meu pai, depois de meses de imprevistos e agendas que não batiam. Uma segunda-feira mágica que teve até gol do morto!
