Poster promocional do documentário ¡Casa Bonita Mi Amor!, do diretor Arthur Bradford
Poster promocional do documentário ¡Casa Bonita Mi Amor!, do diretor Arthur Bradford

Assisti ao documentário ¡Casa Bonita Mi Amor! (2024), dirigido por Arthur Bradford. O doc acompanha o processo de aquisição, reforma e reinauguração do restaurante e parque temático Casa Bonita, no Colorado. Os novos donos são os criadores do South Park.

Quando Trey Parker era menino, Casa Bonita era uma espécie de Disneylândia local. Um restaurante com uma multidão de atrações e microatrações, detalhezinhos espalhados por toda parte. Já no fim da década de 2000, o restaurante estava longe do seu auge e enfrentava problemas financeiros e na qualidade geral das atrações e serviços.

O lockdown de 2020/2021 foi o último prego no caixão da Casa Bonita, que declarou falência ainda em 2021. Dada a importância local do parque, um grupo de empresários se reuniu com a intenção de adquirir a Casa Bonita para que o restaurante continuasse operando. Entretanto, todos abandonaram a iniciativa, menos Trey Parker e Matt Stone.

A dupla de criadores do South Park decidiu seguir com o projeto, mas subestimou o quão mal mantido era o parque-restaurante. Inicialmente, a dupla investiria algo em torno de USD$ 6,5 milhões para reabrir o restaurante. Entretanto, com o início das obras os problemas estruturais foram surgindo e para tornar o restaurante operacional, isto é, apenas consertar os problemas, sem adicionar atrações novas, sem renovar cenários, seriam necessários gastos extras. Quanto passou a ser o orçamento de renovação (sem contar as renovações de atrações e decoração)? USD$20 milhões.

O documentário registra bem esses momentos de euforia criativa, desânimo com as más notícias, tensão, alívio, estresse de reforma e cansaço dos envolvidos, em especial Trey Parker. Trey desde o começo queria criar uma experiência para famílias, mas com atenção à experiência das crianças. Casa Bonita deveria ser um local a ser explorado, com uma surpresa em cada canto. Matt Stone comenta que Trey Parker ainda tem esse espírito de criança dentro de si, de quem olha o mundo de forma a se permitir maravilhar, e ele está correto. A todo momento Trey Parker “tateia” em busca do que pode ser divertido, o que poderia ficar em cada canto, como deve ser cada micro-atração. Em algum momento ele comenta que quando era criança ele ia para Casa Bonita e ficava maravilhado com cada detalhe, mas que naquele momento ele só via defeito nas coisas.

Depois de atrasos, retrabalhos, muito estresse, Casa Bonita foi reaberta ao público, e segue funcionando.

Um momento melancólico, que me pegou um pouco, foi já no finzinho do filme quando Trey Parker comenta para a câmera que na inauguração ele ouvia pessoas falando “Olha a cachoeira!”, “Olha a caverna do bandido!”, “Olha o Trey Parker! Vem tirar uma selfie.” – isso o fez perceber que ele – Trey Parker – não fazia parte da experiência que tinha pensado para o lugar, ele era uma distração, não uma atração. Trey comenta que perceber isso foi como se ele tivesse terminado um relacionamento. No documentário, Trey diz que valeu a pena, tentando dar um ângulo otimista à situação, mas não convence muito. É meio triste ver que a pessoa que mais se despejou no projeto, em recriar uma experiência única, sua própria Disneylândia, não pode participar da experiência, pois sua presença interfere e até estraga o que foi imaginado.

Melancolia à parte, é um bom documentário, recomendo.

Recomendo: ¡Casa Bonita Mi Amor! (2024)

Links

¡CASA BONITA MI AMOR! | 2024 Tribeca Festival
https://tribecafilm.com/festival/archive/casa-bonita-mi-amor-2024

¡Casa Bonita Mi Amor! (2024) – IMDb
https://www.imdb.com/title/tt32149731/?ref_=fn_t_1

By caio

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