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Estou lendo Company of One, de Paul Jarvis, um livro sobre pequenas empresas e como não expandir as operações e manter o negócio simples podem ser um modelo de negócios viável. Pelo pouco que li noto que o livro sofre de um mal que assola muitos livros de não-ficção. Antes de explicar um conceito o autor conta-nos uma anedota, um episódio da biografia de alguém, ou faz um exercício mental. Em vez de começar o capítulo dando a definição do que ele vai explicar, ele finge que não é com ele, comenta alguma coisa que é explicada ou que demonstra o que ele quer dizer no capítulo. Tudo muito leve, com exemplos reais, piadinhas aqui e acolá. Uma tremenda perda de tempo.

Capítulos como “O que é X?”, que não possuem um parágrafo literalmente respondendo à pergunta de maneira direta e clara, são enfurecedores. Alguns autores mais sádicos colocam mais de um exemplo no texto, só pra dificultar mais a leitura informativa. É como se eu estivesse me afogando no mar e um barco viesse me socorrer, mas antes de jogar a bóia me dissesse:

“Em uma manhã ensolarada no verão de 1736, André Lacroix acordaria encharcado numa ilha deserta no meio do oceano Pacífico. Na madrugada anterior o navio no qual Lacroix servia como primeiro tenente afundara depois de ser pego por uma tempestade extra-tropical. Lacroix foi o único sobrevivente. A experiência do naufrágio trouxe consequências terríveis à vida de André Lacroix: pesadelos, terrores noturnos, ataques de nervos e perda de cabelo. Lacroix estava determinado a impedir que este tipo de tragédia acontecesse novamente. Dispensado do serviço militar, ingressou na faculdade naval em Marselle como pesquisador independente e dedicou os próximos 5 anos de sua vida a estudar construção naval.”

“Sua pesquisa não surtiu o efeito esperado. Descobriu que as mortes do naufrágio ao qual Lacroix fora o único sobrevivente não poderiam ter sido evitadas com uma construção de navio mais robusta. A solução teria de ser diferente. Após 5 anos de pesquisa, Lacroix se formou em Bacharel de Ciências Navais e conseguiu o título de Doutor em Construção Naval, o que lhe rendeu emprego na Smith & Wolffgang, a maior empresa construtora de navios mercantes do mundo, na época. Lá ele ficaria responsável pela confecção das bóias usadas por todo o navio. Um modelo de bóias lhe chamara a atenção, as bóias que eram utilizadas nas caixas de encomenda. Essas bóias consistiam de uma rede com inúmeras garrafas vazias amarradas nela. Na realizade, as garrafas estavam cheias – cheias de ar – o que lhes fazia flutuar na água. Caso as encomendas caíssem no mar, elas poderiam ser recuperadas pois mesmo em encomendas mais pesadas, as bóias de encomenda conseguiam atrasar a submersão dos itens de valor, e em alguns casos mantinham as caixas de encomenda flutuando por tempo indeterminado. Disso veio a idéia que salvaria mais de 500 mil vidas no século seguinte: o colete salva-vidas. Em vez de fazer barcos mais resistentes, por que não fazer boias vestíveis, individuais, para os tripulantes?”

Enquanto isso eu me afoguei lá no oceano Pacífico.

Aliás, essa história do André Lacroix é completamente fajuta, fruto da minha imaginação e certa privação de sono. Favor desconsiderar.

Meu ponto: me dá a teoria primeiro, depois me mostra a história. Deixa EU ver como a teoria se encaixa na história. Eu não preciso ver a história pra depois entender como você criou a teoria, o que interessa é a teoria. Se eu achar que preciso de mais explicações, eu leio a sua anedota.

Sigo com a leitura.

By caio

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