Ouvi um tempo atrás um músico comentando – meio em tom de lamento – que a formação musical no Brasil era praticamente dentro das igrejas, com destaque para as igrejas protestantes. E ele também apontava que não havia o surgimento de bandas de gente jovem.
Decidi pegar o violão e tocar alguma música. “Toco” há anos mas não sei nenhuma música de cabeça, fui no Cifraclub achar alguma coisa pra eu tocar. Eis que me deparo com as músicas em alta – as mais populares neste momento – e o lamento do músico de anos atrás parece ter algum sentido.

Na lista das 15 músicas em alta, 11 são músicas cristãs, 3 são sertanejo e 1 de rock nacional. Das músicas “do mundo”, nenhuma tem menos de 20 anos. Meio triste – e um tanto preocupante – não termos bandas novas fazendo sucesso.
Talvez seja sinal da nossa era atomizada de influenciadores e MCs. Imagina se juntar e ter que lidar com os humores e gostos artístico-musicais de 3, 4 pessoas – ou mais – quando há muita exposição e oportunidades para carreiras solo com um mercado aquecido a procura de gente com seguidores pra transformar em MC.
Para fins de comparação, meu pai integra um grupo amador de samba. O membro mais jovem fez 52 anos este ano – salvo engano. Não conheço gente da minha idade que ainda tenha banda ou que integre algum conjunto musical. Mas conheço um pessoal que toca na igreja. Sinal dos tempos.